segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O (primeiro) desembarque

A verdadeira arte de viajar

"A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!"

(“A cor do invisível” - Mário Quintana)

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Dia 30 de junho de 2009. Aeroporto Charles de Gaulle. Paris.

Cheguei. Morta de sono. Não dormi o voo inteiro. Tentei, claro, mas não rolou.
Resumindo um pouco das 10 horas dentro do avião:

Foi uma viagem tranquila, com pouquíssimas turbulências, nem deu pra sentir.

Poltrona apertadíssima, um casal extremamente antipático ao meu lado. Serviço de bordo escasso, no meu ponto de vista, mas era o que tinha e estava bom demais.

Meu resfriado continua reinando absoluto, talvez também por isso, não tenha
conseguido dormir.

Assisti "Ele não está tão a fim de você". Até havia opções melhores, porém nenhuma legendada em português ou espanhol. Vi também um episódio de Friends. Por coincidência, óbvio, "Aquele que o Joe fala francês". Este eu consegui assistir sem legenda.

Tentei pegar no sono ouvindo o melhor dos anos 80,90 e 2000. Claro que não consegui. Ficava prestando atenção nas letras, querendo cantar, rindo em pensamento pro casal cara de cocô não implicar, ou seja, não deu certo.

O travesseiro e nada era a mesma coisa, mas o cobertorzinho até que dava pro gasto. Agora que estou escrevendo, me pergunto por que não o trouxe.

Desisti de dormir e então tentei me distrair de outra maneira, já que fiz o favor de esquecer "meu Gabo", nas páginas finais, praticamente, perfeito para me acompanhar, em cima da minha cômoda. O guia de Madrid eu não estava com saco, então peguei o controle e fui brincar de "Quem quer ser um milionário", "Show do Milhão" ou qualquer coisa do gênero. Alternava entre inglês e francês. Consegui 500 euros em uma das rodadas e cheguei a uma conclusão, quer dizer, duas: meus 3 anos de francês não me servem pra mais nada depois de tanto tempo e preciso mesmo voltar a estudar inglês.

Uma coisinha que eu gostei foi a nossa posição no mapa. O aviãozinho mostra onde estamos e o restante das informações: altitude, temperatura, velocidade, etc. Mas o que eu achei legal mesmo foi Santiago de Compostela traduzido para o francês como St. Jacques de Compostela. Caralho!!! Ok, Tiago é Jacques em francês, mas é o nome da cidade, além de ser muitooo feio, mas enfim.

Meu ouvido tampou completamente no pouso. A saída do avião foi tranquila. Pediram pra ver os passaportes, mas com como pararam um senhor com cara de terrorista na minha frente, não deram a mínima pra mim. Olharam minha foto e pronto. Estou quase chegando pela passagem pela imigração, chegando e minha vez quando SURPRESA!!!
CADÊ O MEU PASSAPORTE?????

Sim, sim, sim! Eu fui capaz!! Não entrei em pânico. Pensei: " estou em um país civilizado, farei exatamente o mesmo caminho voltando e o encontrarei."

Bingo! Vejo uma senhora com um documento na mão dizendo "É do Brasil".

Com toda a educação do mundo, dei bom dia e falei que tinha perdido. Ela me devolveu, mas não sem antes comprovar meu nome e minha data de nascimento!

Soube neste momento que o pânico realmente não adiantaria, que já estava do outro lado do mundo e que São Longuinho também atua na França.

Volto pra fila. Demora uns 10 minutos. O rapaz me olha e diz: ¿Dónde va usted? Respondo: A Paris y después a España. Tão longo diálogo termina com o risinho e um "au revoir" do seu moço.

Minha maior dificuldade foi encontrar a bagagem. Nesse aeroporto a gente anda, anda, vai, volta, vai de novo e só então encontra.

Por fim, achei minha bagagem. Fui ao banheiro, entro na casinha apenas com a bolsa, porque é claro que o carrinho com as malas não cabia no local e escuto: " Por motivos de segurança, não deixe sua bagagem sozinha".

Deus??? É você???

Não, claro. Era só a mulherzinha de voz bonita do aeroporto. Estaria eu sendo filmada?? Rsss

Joguei uma água no rosto e cá estou no terminal 2E ou F, esperando a Carol Legal, sentada com as pernas em cima das duas malas que, por sua vez, estão no carrinho, para ativar a minha circulação, afinal, foram 10 horas...

Daqui a pouco começa a aventura em Paris para chegar até o albergue, tenho certeza de que será uma.

Aliás, pelo horário, a Legal já deve estar chegando e meu pai já deve estar acordando. Vou ligar pra casa e sair procurando minha amiga, se é que ela já encontrou a bagagem, rs.

"Au revoir".

4 comentários:

  1. Vc nao conseguiu dormir, que agonia? pq nao tomou vinho.. Quando viajei, fui as 11 horas dormindo, se nao me acordassem eu teria voltado ao Brasil.. aff.. durmo muito.. Esquece teu passaporte em Guarulho para vc ver... hahahah. depois vá para o embarque, vc verá no minimo dez Tanias embarcandoo.. AFF
    e agoraa... Cadê a carol que nao chega?????

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  2. Fui lendo e relembrando cada momento disso tudo. A gente junto, quanta gratidao, quanta alegria. Foi perfeito, mesmo a aventura pra chegar ao albergue foi bem vinda! Nao teria melhor companhia pra ir pra Paris do que voce! Te amo!
    beijos

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  3. Tão gostoso ler o que pra você foi tão forte, e um sonho realizado! Passo a passo, de forma natural e linda! E olha que fui citada, hahahahaa.. Que linda, lembra de cada detalhe.. Cada! Continue, quero ler mais, já que não tive direito a emails continuos, rs..
    Te amo muito! Beijos!

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