"Quero...vou...fui...não vi...voltei...
Mas sei que um dia de novo eu irei"
(Zélia Duncan)
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As letras me levam a viajar, a ir além, a refletir, a pensar na vida, e por incrível que pareça, esta minha reflexão não partiu de uma obra-literária, poema, conto ou outras formas de manifestações artísticas ligadas à literatura, mas sim de uma classe gramatical considerada uma das mais chatas da língua: VERBOS.
“Verbo é uma palavra de forma variável que exprime o que se passa, isto é, um acontecimento representado no tempo”. (Cunha, Celso. Nova Gramática do Português Contemporâneo).
Poderia aqui abordar diferentes aspectos classificatórios e diferenças do verbo como número, flexões, etc., porém, tentarei me ater aos modos verbais: Indicativo, Subjuntivo e Imperativo.
Uma das questões que mais me intrigam é por quê vivemos tanto no presente, pretérito e futuro do modo subjuntivo?
O que é viver no plano hipotético do subjuntivo como: que eu ame, se eu amasse, quando eu amar, suponhamos que eu faça, se eu tivesse feito, quando eu fizer...?
O subjuntivo é uma das formas mais bonitas de se conjugar o verbo e a mais triste de se viver. Quem vive no subjuntivo nunca realiza nada, nunca vive efetivamente, baseia-se num plano de idéias do que pode, pôde ou podia ser feito. Vive de lamentações do que não fez, do arrependimento de não ter vivido, de não ter arriscado, de não ter tido coragem, vive de pensamentos e de felicidades supostas, de que tudo poderia ter sido diferente. Vive da covardia de não ter lutado, de não ter vencido, dos erros que poderiam ter sido evitados, das lembranças, de não aceitar que o tempo passa, as coisas mudam, de não ter ousadia de tentar novamente por medo de cometer os mesmos equívocos e temor de aceitar que nem tudo é para sempre.
Por que é tão difícil viver no modo indicativo? Por que é o mais chato? Por que é cheio de regras e exceções? Por que tem vários tempos? Ou simplesmente por que é a realidade, é o instante, é o que se vive efetivamente, errando ou acertando e temos uma rejeição natural em admitir o que fazemos?
Qual é o problema em dizer erro, errava, errarei, erraria, errei, errara? É muito mais válido saber que eu tento, tentava, tentarei, tentaria, tentei, tentara, mesmo que não consiga, conseguia, conseguirei, conseguiria, conseguirei, conseguira. Pelo menos, esta é a realidade, não o plano do ilusório...Isso não quer dizer que não se deve sonhar, fantasiar, planejar, mas o importante é fazer tudo isso no modo indicativo, como real.
E alguém sabe me dizer por que usamos tanto o imperativo na sua pior função? A de dar ordens?
O imperativo em nossas vidas deve ser usado como incentivo, como forma de encorajar, estimular e não a de impor nossas idéias, nossas opiniões, nossos pontos de vista e esperar que o outro acate tudo, que obedeça, aceite tudo como queremos...
Será que viajei demais?
Acho que não...
Devemos conjugar nossa vida no modo indicativo sempre, pois se tivermos a consciência de que o subjuntivo depende do tempo real dele para ser concretizado, não há o que temer, portanto, FAÇA, TENTE, VIVA, ENCARE E VENÇA!
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
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