quinta-feira, 24 de junho de 2010

Homicídio Culposo


“Cada suicida sabe donde le aprieta la incertidumbre”
Mario Benedetti

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Cometi um crime.
Primeiro afoguei meus olhos. Em seguida, quase coloquei tudo em vão numa taquicardia dilacerante. Respirei fundo. E então, decidi: é hoje!
Esfaqueei lembranças, esquartejei sonhos, sufoquei o passado, fiz escarrar o que um dia chamou-se felicidade como uma tosse tuberculosa, provoquei o vômito em todas as palavras belas que insistiam em habitar, com um punhal feri as mãos para que elas não traíssem o que o ato anterior procurou evitar, colei a boca pra que ela não mais sorrisse, tapei o ouvido para nunca mais ouvir nada de nada, nem de ruim ou de pior, nem de bom ou de melhor, com a ponta do canivete desfigurei a imagem de um rosto para que não ficasse no último momento o semblante de beleza, matei de frio o desejo do corpo, atirei a sangue frio, sem dó, dois tiros no pé, pra não ter como correr, um no estômago, só pra causar mais dor e outro bem perto do peito, mas não certeiro, propositalmente, antes do golpe final, asfixiei qualquer esperança, joguei querosene e incendiei tudo.
Queimei!
Matei!
Assassinato impiedoso.
Suicídio. 

Um comentário:

  1. Me-do... rss..
    Dizem as bruxas (não eu, as bruxas) que assim como as plantas(as sementes) precisam morrer, nós também precisamos muitas vezes, provavelmente anualmente nascer para depois renascermos.. Todos somos fenix... todos morremos e renascemos...Num processo continuo, num ciclo sem fim é assim na natureza externa e interna... Te amo!

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